Esforço para contar a história do BSB60

O amplo projeto BSB60, pensado para homenagear 20 pioneiros nos 60 anos de aniversário de Brasília, produzido pela Agência Descomplica, conta com um documentário, uma série e um livro. Os bastidores da captação das imagens e da produção desse grande esforço foi contado um pouco na live que foi ao ar no dia 5 de maio, nas redes da @agdescomplica. 

Por conta das medidas de isolamento ocasionadas pela pandemia do Covid-19, várias das comemorações do aniversário da capital foram canceladas. Assim, a estreia do primeiro episódio da série Brasília e seus Pioneiros, realizada no dia 21 de abril, na plataforma NOW, foi o ápice da celebração na medida em que chegou à casa das pessoas. 

“Foram muitos meses de trabalho bem intensos. Mas quando vimos o episódio sendo exibido no NOW, foi uma grande etapa vencida. Esse foi um projeto que me deu muito orgulho”, explicou o diretor da Claraboia Filmes, Danilo Borges, 

Em uma das gravações mais delicadas por conta da agenda bastante extensa do entrevistado, Paulo Octávio, eles lembram que já na chegada, na montagem do set, mostraram que era um trabalho profissional. “A primeira coisa que fazíamos, no início de tudo, era conquistar os entrevistados, conversando, afinando a iluminação, câmera. Eles são ainda pessoas ativas, ocupadas. Tínhamos que fazer tudo rápido, mas bem feito. Eles iam percebendo o cuidado que tínhamos em contar a história deles, mostrar o que fizeram por Brasília, transformar isso em imagens. O maior desafio era o tempo exíguo, mas estávamos unidos e bem afinados como equipe”, lembra Guilherme Rocha, videomaker. 

O piloto do projeto foi com o pioneiro Osório Adriano. O material ficou maravilhoso, caprichado e sempre era exibido aos entrevistados, logo de cara. “E era paixão à primeira vista para eles. A gente assustava eles chegando com câmeras, com a luz, mudando móveis de lugar, enfim, fazendo bagunça. Mas quando eles viam no que aquela bagunça ia resultar, ficavam ansiosos”. 

Acostumada a fazer entrevistas difíceis e delicadas, a jornalista, responsável por entrevistar os pioneiros, Gabriela de Almeida, percebeu dois tipos de personagens diferentes. Tinham os mais famosos, acostumados a darem entrevistas e com um vasto material publicado sobre eles. Mas haviam também aqueles mais incógnitas, que exigiam uma pesquisa prévia mais apurada. “Eu partia de um pré preparo. Passava tempo pesquisando sobre eles antes. Mas confesso que muitas vezes foi uma surpresa para nós. Havia um pré roteiro, de onde sair, mas nem sempre funcionava. Muito era mudado na hora. Eu tentava buscar as memórias afetivas deles, para não ser mais uma entrevista dentre tantas outras”, lembra Gabriela. 

A repórter conta que eles aprenderam muito com os personagens pouco conhecidos. “São todos histórias vivas ali na nossa frente, que entendem o valor da memória da história de Brasilia. Cada um com uma perspectiva. Abriram a vida deles, mostravam seus projetos, o que ainda têm planos de fazer, apesar da idade avançada. trouxeram muita informação inusitada”. 

O sócio fundador da Agência Descomplica, Tiago Falqueiro, lembrou da ocasião em que gravaram com o empresário Simon Pitel, proprietário do tradicional Restaurante Roma. A equipe chegou lá meio desconfiada, porque ele costuma ser bem sisudo. Mas logo contou a história sobre o sócio nazista. “É o tipo de história que a gente não encontra. Ele se abriu todo, conversou super bem, fez tudo o que foi pedido. Eu adorei quando ele contou essa história. Imagine: um belga, filho de poloneses, que foi para o Rio, pega uns relógios falsificados com um romeno, vem para Brasília para vendê-los e arruma um sócio nazista. Isso é um Faroeste Caboclo internacional. Se me contassem, eu ia achar que era mentira”, se diverte Falqueiro.

“Nessa hora, nós da equipe nos olhamos e pensamos, que história! Ele tem um jeito de falar com muita propriedade. Recebeu só a passagem de ida, sem volta. Mas sempre com muito bom humor. Era jovem, e o orgulho que ele tem de fazer parte de Brasília e como ele gosta daqui”, descreveu Danilo. 

Sobre a importância iconográfica do projeto BSB60, o fotógrafo Iano Andrade observa que mesmo captar a personalidade de cada um, que é algo muito profundo, só foi possível porque a equipe estava bem entrosada. “Chegávamos e logo quebrávamos o gelo. O resultado do trabalho foi como estar na nossa casa, conversando com alguém da nossa família. A gente olhava e sentia que era um papo com os nossos avós, tamanha a identidade”, lembra. 

Um dos pontos mais importantes de todo o projeto é o resgate dessas vivências, que se mesclam à própria história de Brasília. E o resultado que fica é a conservação de fatos, memórias, lembranças, que talvez se perdessem não fosse o projeto. Para Santhiago Cavalcante, sócio da Agência Descomplica, as dicas de empreendedorismo que os pioneiros trazem foram praticamente um MBA em Negócios. “O caso do Osório Adriano, que passava a noite dirigindo até São Paulo para buscar ele mesmo um carro, para não pagar frete. Ele traz uma lição incrível de negócios. Ele via as pessoas chegando no aeroporto e começou a alugar carros. Depois, passou a vender carros, fazia frete, agarrava todas as brechas e criava as próprias oportunidades”, recorda. 

Toda a equipe envolvida no projeto BSB60 acompanhou muitas lições inspiradoras de todos os empreendedores pioneiros. “Nós seremos esses pioneiros daqui a 40, 50 anos. A  história de fato ainda está sendo construída. Creio que se não pensarmos assim, ficamos desmotivados. Fazemos parte da história, contando o que eles fizeram”, finaliza Santhiago. 

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