Dia do Trabalho: novos paradigmas

O Dia Mundial do Trabalho de 2020 certamente ficará para a história. Não por algo pontual como o fato que gerou o feriado: a greve histórica realizada em Chicago (EUA), em 1886, duramente reprimida pela polícia. Mas por uma revolução silenciosa que tomou conta da sociedade atual e não tem mais volta.

O home office praticado mundialmente, acelerado pela pandemia de Covid-19, se tornou uma necessidade para que as economias não parassem e para que as várias engrenagens do sistema capitalista e laboral continuassem sua marcha.

O medo do que é novo, das mudanças de modo geral, deram rapidamente lugar à maleabilidade e senso de adaptação que a humanidade tem. Profissionais liberais, empresários, artesãos, personal trainers, e até educadores improvisaram estúdios em suas casas para passar o conteúdo às crianças. Espaços ganharam novas utilidades nos lares. O teletrabalho, antes visto como privilégio, passou a ser regra. Legislações foram adaptadas às pressas. Mas, mais do que isso, mentalidades, tanto de patrões quanto de colaboradores, se adaptaram a essa nova ordem mundial.

Para o coach business, Fábio Veloso, essa percepção de adaptabilidade e a visão de que se deve mudar de maneira rápida e eficaz o rumo da vida pessoal, do empreendimento ou até do ramo de negócios, é crucial em crises como a que estamos enfrentando atualmente. “Eu mesmo precisei rever alguns dos meus objetivos. Antes, meu trabalho era um atendimento pessoal e palestras em auditórios, com planejamento de acionamento. Agora, com a pandemia, estou focando em atendimentos online, montei um escritório para gravar vídeos, com iluminação, tenho metas de publicação de conteúdo nas redes, mudei muitas coisas”, pontuou.

Para fortalecer a inteligência emocional e o poder de tomar decisões cada vez mais acertadas, o profissional utiliza ferramentas como o mindfulness, a respiração, a ativação dos recursos, entre outras. Tudo para que a mente funcione de maneira mais eficaz e seja ativado o que cada um tem de melhor. “É um processo gradual. As pessoas vão fortalecendo a inteligência emocional com o tempo e com treino”.

O que não implica que não há dificuldades no caminho. “O fato de estar em casa não significa que se tem todo o tempo do mundo disponível. Quem trabalha ou estuda, precisa tentar manter minimamente a rotina. Trabalhar em outro ambiente que não o quarto. Reorganizar o local, sentar, trocar de roupa, se comunicar com as pessoas”, explica a psicóloga e professora Paula Gabriela.

Ela observa que o convívio familiar dessa forma intensificada como está sendo, também pode ser um problema, pois provoca muitas discussões e atritos. É importante fazer acordos, respeitar horários e o espaço dos demais membros da família. “Manter uma rotina, mas não necessariamente ser produtivo. Não temos que ter uma visão romântica de que é preciso produzir muito. Tem quem acorde, faz uma lista enorme de afazeres, e no fim do dia se sente desapontado porque não conseguiu cumpri-la. Mantenha uma rotina e uma lista de coisas possíveis, no seu tempo, dentro das sua condições, sem que isso gere culpa”, pondera.

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