A grande jornada de Quíron e a nossa jornada

Na live do dia 10 de julho, a multiterapeuta Iana Meirelles (@vagalumeterapias) falou do fim de Mercúrio retrógrado. Lembrando que parece que está andando para trás. Mas ele voltará para zona de sombra, ou seja, é um movimento direto, passando por pontos onde ele já passou. As pessoas conseguirão resolver as coisas pendentes, e já podem voltar a pensar em fechar contratos, comprar eletrônicos. Mas teremos Quiron retrógrado a partir de amanhã, dia 11 de julho.

Na mitologia grega, Quíron representava um centauro que podia curar todos, menos suas próprias feridas. Ele é filho de Saturno, que estava pulando a cerca com uma ninfa. A esposa flagra e Saturno se transforma em cavalo e foge. Héia amaldiçoa Filia e o filho dela nasce em forma de cavalo híbrido e o abandona. Quiron é criado por titãs e mestres professores. Ele se torna um sábio através de seu sofrimento. Ele traz uma profunda consciência das nossas dores. Quando ele fica retrógrado, ele entra em contato com as nossas dores. No inconsciente coletivo, a maior dor é viver a desconexão. Na nossa vida pessoal, precisamos entender como isso repercute na nossa vida.

Feito melhor que o perfeito
Atualmente, Quiron está em Áries e cruzará com Marte. Áries será ferido no seu poder de não fazer coisas. Para todos nós, ele falará da nossa dificuldade de tomar iniciativas, de criar coisas. Mas com Leão, teremos as dores de começar, pois não estaremos começando fora das nossas condições ideais, fora da nossa zona de conforto. Pense que o feito é melhor que o perfeito. “Está tudo como tem que estar. Nós é que não estamos sintonizados com o todo e achamos que não está pronto, que não é hora. Precisamos dar o primeiro passo. Principalmente quem tem dificuldade com o julgamento, com a crítica. Transgredir os padrões, todos esses desafios serão confrontados agora”, explica Iana.


Trânsitos importantes

Os próximos trânsitos serão dia 14 de julho, próxima terça-feira. Haverá encontro de Marte com Quíron, que já estará retrógrado. Será um dia intenso. Recomendo que fiquem em casa e evitem conflitos. O que os outros fizerem, pode nos atingir muito mais. Para não responder na dor, tentem ficar introspectivos.

Outros trânsitos importantes são dia 14, com Sol em Câncer, oposto a Júpiter que é expansão, sabedoria. A clareza do Sol pode trazer questões familiares e segredos vindo à tona. No dia seguinte, Plutão em Capricórnio pode significar morte, fim, ruptura, caos, destruição. No dia 20, o Sol estará se opondo a Saturno. Os três planetas estarão no mesmo local do dia 12 de janeiro, com a eclosão da covid-19. Pode ser uma nova onda, um novo vírus, uma catástrofe natural, algo que terá o mesmo efeito. Teremos um outro start de lucidez. Fiquem apercebidos a essa data. Cautela, acolhimento. Desacelere, reveja prioridades, atitudes. É isso que esse trânsito quer de nós, essa reconstrução.

Dualidade
Quíron é um filho semideus, filho de um titã, muito forte e poderoso, tem um código de ética diferente. Ele tem a dualidade dentro dele. Somos como ele, centelha divina, com uma roupagem humana. Vamos viver a jornada de Quíron, que viveu todas as dores. Rejeição, abandono, aprendeu sobrevivendo, tem o desamparo sobre ele. Mas conseguiu se estabelecer e aí consegue construir sua personalidade com a defesa, a esquiva. Ele não tem o comportamento dos centaurus, apesar de ser meio humano, meio cavalo. Ele aprende e chega em um ponto em que consegue transitar nos dois mundos, tanto no mundo dos bárbaros quanto dos sábios. Ele vai virando um grande sábio e vira professor dos filhos dos grandes titãs e sábios.

Quíron certa vez é acertado com uma flecha na coxa, o que impossibilita que ele não se cure, ficando eternamente em sofrimento. Vira um grande curador, sem conseguir se curar. A chave, símbolo dele, é abrir mão de si mesmo e olhar para o outro. Prometeu rouba o fogo dos deuses e ensina o mistério do fogo para a humanidade, emancipando a humanidade. Só que ele não entendeu o motivo dos deuses não terem entregue o fogo antes para a humanidade. Zeus ficou bravo com Prometeu e mandou uma caixa com uma linda mulher dentro. Pandora e sua caixa não foram abertas. Mas o irmão abriu. Prometeu assiste à destruição da humanidade e um dia se entrega a Zeus que o amarra pelo pé e ele passa anos sendo bicado no fígado pelos corvos, por 500 anos. E se dá conta que a humanidade precisava de mais anos e lições antes de ganhar o fogo de presente. Sabendo disso, Quíron faz uma proposta e se oferece para trocar de lugar com Prometeu, que recupera sua vida.

Essa é a jornada dele se encerrando. Alguma coisa vai tocar nossa ferida essencial e nos fará buscar a cura. É permitido que essa dor lateja em nós porque ela é estimulante. E por isso, essa dor é essencial para nos mover. Essa dor inicial nos humaniza, nos torna coletivo, para nos sacrificarmos pelo outro.

Busque sua dor
A notícia boa é que Quiron é a chave, a resposta, a saída. O que é que está doendo, mais latente? E não pense só na pandemia, mas antes dela. Olhando para isso, conseguiremos pensar que temos a resposta para isso, que é olhar para essa dor no mundo. O que fazer para diminuir essa dor no mundo. Todos estamos dentro desse coletivo. Quando curamos essa dor no coletivo, curamos ela em nós. Não é mais sobre sobreviver com nossa própria realidade. Agora, é mudando o mundo. Desista de resolver em você. Vivemos Quíron em espiral. Ela lateja e nos definimos por essa dor. Com o tempo e terapias, descobrimos que existe vida além dessa dor. Aí damos a primeira volta na espiral. Aí compreendemos, damos voltas, mas essa dor continua no centro, doendo. Descobrimos que há outras pessoas com essa dor. Percebemos que essa dor não é pessoal, é de todos.

Como saímos do centro dessa dor e conseguir lidar com isso? Quíron era um professor de heróis. Ele desperta em nós a nossa melhor faceta, de herói. Ele desperta em nós a capacidade de abrir mão do nosso ego, em benefício do maior. Identifique sua ferida pessoal. Onde essa ferida está atuando no mundo? O segundo é aceitar. O terceiro é fazer algo positivo sobre isso.

É importante trazer uma perspectiva da alquimia. A grande obra dos alquimistas é a obra de transformar chumbo em ouro. Homens de chumbo em homens de ouro, em uma natureza valiosa. Precisamos viver pensando em ser a melhor versão de nós mesmos. Que a grande jornada mítica de Quíron nos inspire nessa nossa jornada.

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